Essa é a primeira parte de uma série de artigos que irão te ajudar a entender melhor a importância da comunicação profissional com informações, dicas e propostas de práticas para você aplicar o que aprendeu e desenvolver essa habilidade.
Você já percebeu que algumas pessoas parecem conseguir conversar sobre quase qualquer assunto no trabalho com tranquilidade, enquanto outras acabam se explicando demais, ficam na defensiva ou simplesmente não conseguem dizer o que precisam?
A comunicação é uma das habilidades que mais influenciam a nossa vida. Ela está presente nas relações familiares, nas amizades, nos relacionamentos amorosos, na convivência social e na vida profissional (que é o nosso foco aqui).
No trabalho, saber se comunicar não significa falar muito, ser extrovertido ou ter sempre uma resposta pronta. Não é sobre carisma, chamar atenção ou saber muito sobre determinado assunto. A comunicação profissional é uma competência comportamental executiva.
Na psicologia organizacional, que estuda o comportamento das pessoas dentro de empresas e instituições, desenvolver a habilidade de comunicar-se busca amenizar a Carga Cognitiva Excessiva: quanto mais prolixa ou ambígua é uma mensagem, mais energia o cérebro do receptor gasta tentando interpretar a intenção em vez de executar a tarefa.
Por isso, conseguir transmitir o que precisa e ser entendido é crucial para a realização de um bom trabalho. Compartilhar informações, fazer pedidos, explicar situações, dar feedbacks e lidar com conflitos são algumas das coisas que devemos fazer bem e de forma muito consciente.
Ah, e se você acha que não se comunica tão bem, se considera introvertido ou tímido, saiba que a comunicação é uma competência comportamental que pode ser desenvolvida e treinada. Você não precisa “naturalmente” ter facilidade para se comunicar. É possível aprender.
Como se comunicar bem trabalhando no foodservice
Vamos lá. Imagine duas pessoas com conhecimentos técnicos semelhantes.
- A primeira consegue explicar problemas com clareza, pede ajuda quando necessário, recebe feedback sem transformar orientações em discussões ou defesa, comunica erros rapidamente e sabe conversar com diferentes perfis.
- A segunda tem dificuldade para explicar o que aconteceu, evita conversas importantes, reage de maneira defensiva e não consegue transmitir informações com clareza.
Mesmo que as duas tenham o mesmo conhecimento técnico, a forma como se comunicam vai gerar resultados profissionais diferentes.
A comunicação influencia as relações de trabalho, transmite responsabilidade, confiança, conhecimento, além de deixar clara a distribuição de funções e responsabilidades para cada funcionário.
Comunicar bem não significa ser extrovertido
É comum associar uma boa comunicação a pessoas com personalidade mais abertas, expansivas, falantes, carismáticas ou muito sociáveis. Contudo, comunicação profissional não é conversar, é sobre comunicar o que é importante de forma clara.
Uma pessoa mais reservada pode ser uma excelente comunicadora, pois profissionais introvertidos frequentemente se destacam por serem mais diretos.
Em contrapartida, alguém muito extrovertido pode ter dificuldade para ouvir, interromper os outros ou falar sem considerar o contexto. A sociabilidade de um perfil extrovertido não garante eficiência comunicativa, pois é fundamental saber processar a informação recebida antes de reagir.
O desenvolvimento da comunicação envolve, principalmente, a capacidade de adaptar a mensagem e a maneira de se expressar à situação, à pessoa e ao objetivo daquela conversa.
- Uma conversa com um cliente não será igual a uma conversa com um colega de cozinha.
- Uma mensagem para o gestor exige um tom específico, não será igual a uma conversa informal durante o intervalo.
- Um e-mail profissional requer uma postura distinta da linguagem falada.
Saber reconhecer essas diferenças faz parte do desenvolvimento e maturidade profissional. Pense sobre essas situações acima, e seja criativo(a), não pecisa elaborar muito, pense situações parecidas onde você consegue identificar a mudança de abordagem que cada situação pede.
Esse é um exercício bom para você mesmo elaborar através da sua imaginação formas de se portar diante de situações fictícias, no entanto, comuns a rotina profissional.

O impacto da comunicação nas suas relações profissionais
Uma comunicação bem desenvolvida melhora não apenas o seu desempenho profissional, mas também a qualidade das relações interpessoais.
Em contrapartida, uma dificuldade grande e persistente em passar informações aos outros vai gerar déficits na sua careira.
Portanto, ao dominar técnicas para se expressar melhor, você:
- se torna mais proativa(o) e melhora a forma como você fala;
- comunica-se de maneira mais direta, aprende a ouvir ativamente e entender melhor as necessidades das outras pessoas;
- aumenta as chances de encontrar soluções para problemas e aprende a pedir ajuda;
- expressa limites de forma respeitosa, reduzindo incômodos e desgastes desnecessários.
Quando conseguimos dizer o que precisamos com clareza, economizamos tempo e agilizamos as nossas ações, ficamos menos à mercê de situações em que dependemos de ações dos outros.
A partir desse conteúdo, você pode explorar contextos diferentes e a forma de se portar neles usando sua própria criatividade. E assim, você aprende a se preparar para diversas situações práticas da vida, como entrevistas de emprego, conversas/reunião com gestores, apresentação de projetos, sugestão de ideias, e outras conversas difíceis.
O que é a Comunicação Não Violenta – CNV?
A Comunicação Não Violenta, conhecida como CNV, foi desenvolvida pelo psicólogo Marshall Rosenberg, é um tipo de comunicação que se tornou uma referência para pessoas interessadas em melhorar a maneira de lidar com conflitos e relações interpessoais.
A CNV é uma ferramenta que te faz criar formas de expressar observações, sentimentos, necessidades e pedidos de maneira mais consciente, reduzindo julgamentos, acusações e ataques pessoais.
O modelo trabalha com quatro elementos fundamentais:
- Observação neutra dos fatos
Apresentar a situação sem emitir julgamento imediato. (Ex.: “O insumo X acabou no meio do turno e não havia registro prévio de baixa.”) - Identificação de impactos e sentimentos envolvidos
Reconhecer a consequência operacional. (Ex.: “Isso gerou atraso nos pedidos e insatisfação dos clientes.”) - Reconhecimento das necessidades relacionadas à situação
Mapear o que precisa ser feito. (Ex.: “Temos a necessidade operacional de manter o estoque sempre atualizado.”) - Formulação de um pedido claro
Solicitar uma ação específica. (Ex.: “Podemos alinhar uma checagem de estoque no início de cada turno?”)
Quanto mais específica for a informação, mais fácil será para outra pessoa compreender o cenário e ajudar na solução.
Por exemplo, na prática, em vez de dizer: “Você nunca presta atenção no que eu falo.”
Uma comunicação mais clara com base na CNV poderia ser:
“Percebi que a informação sobre a alteração do pedido não foi repassada para a cozinha. Fiquei preocupado porque isso pode gerar atraso. Precisamos garantir que essa informação chegue à equipe. Podemos combinar uma forma de confirmar essas alterações?”
A segunda forma não elimina o problema, mas muda a maneira de abordá-lo. Há uma postura de resolução.
Essa capacidade de estruturar o que se quer dizer (mensagem) e como resolver é importante em ambientes de trabalho nos quais existe pressão constante e focar na solução do problema de forma rápida é essencial.
Considerações finais
Para concluir a primeira parte dessa série sobre Comunicação Profissional, destaco que o mais importante é a prática.
Desenvolver uma boa comunicação não é uma questão de talento nato, mas de treino consciente.
Se você quer se comunicar melhor no ambiente de trabalho, o caminho não é esperar pela coragem ou pelo momento perfeito, mas sim se preparar. Então treine! Crie situações hipotéticas de um ambiente de trabalho com sua imaginação e aí, quando estiver diante de uma situação real, você não vai depender de roteiros.
Comece com a seguinte proposta:
Imagine a seguinte situação:
O gerente ainda não chegou, o restaurante está para abrir para o almoço e a cozinheira já viu que não tem mais alface. O turno já iniciou a algum tempo e daqui 30 minutos a casa vai abrir. Vocês estavam esperando um gestor cehgar para decidir quem será o encarregado de realizar a compra. Você é um garçom da equipe e a cozinheira chegou até você e pediu para você ou outro alguém ir até o mercado comprar alfaces para repor para o dia, pois a equipe dela já estava com outras tarefas e ela viu que a sua praça já estava pronta para o turno. A cozinheira a não é responsável por você ou por sua equipe paa delegar e não pode tirar dinheiro do caixa, e nem você ou os outros funcionários. O gerente não atende o celular.
Imagine formas de resolver essa situação. Não existe certo ou errado, apenas tente resolver, é correto pensar que no almoço o alface é um ítem importante, tradicional. Então, nessa linha, como vocês – garçom e cozinheira – vão conseguir esse alface?
Com o tempo essa dinâmica vai fluir melhor.
(PARTE 2)
